“Autismo e Psicose Infantil”- segunda parte

Os Objetos Autísticos

            Os objetos autísticos consistem em:

  • partes do corpo da própria criança, ou
  • partes do mundo externo, por ela experimentadas como partes de si mesma.

O conceito de objeto transcional, formulado por Winnicott em 1958, é extremamente importante, mas a autora, Tustin, não acha que a diferença entre ele e o objeto autístico já tenha sido claramente definida, ou que Winnicott não a delineou como ela a entende: chama de objeto autístico, em sentido lato, todo aquele que é completamente experimentado como “eu”, e de objeto transcional aquele que conjuga em si um misto de “eu”e “não eu”- fato de que a criança só muito vagamente se dá conta – ou usando as palavras de Winicott, “o primeiro “não-eu”de que a criança toma posse”.

Para a criança, o objeto transicional é algo que ela distingue do próprio corpo, o que não faz com o objeto autístico, cuja função consiste exatamente em neutralizar toda e qualquer percepção da existência – demasiado intolerável e ameaçadora – de um “não-eu”. Não se deve esquecer que os objetos autístico e transicional podem como que se interpenetrar, muito embora também sejam distintos, e seja útil tentar diferenciá-los. Será talvez preferível dizer que alguns objetos transicionais são mais autísticos do que outros.

A maioria dos objetos do mundo externo serão imbuídos das características de objetos autísticos, se ancorarão, total e inseparavelmente, no “eu”, não deixando que as experiências transicionais se desenvolvam satisfatoriamanete. Isso quer dizer que a criança não fará grande uso das palavras ou repetirá em eco as dos outros – sua forma de preservar a idéia delirante de que as palavras “não-eu” fazem parte de sua boca, transformando-se por isso em “eu”. Há também o não-uso das faculdades cognitivas, para evitar o reconhecimento da existência do “não-eu”.

A necessidade de controlar os outros e as coisas em volta, que essas crianças demonstram, parece ser sem dúvida alguma à insegurança que lhes brota de um sentimento interno de separação (estar separada da mãe).

Se as ilusões primárias forem postas em causa demasiado cedo, o bebê tenderá a canalizar toda a sua energia para a procura das gratificações autísticas que lhe foram insuficientes da mesma forma que, se o mamilo permanecer em estado de objeto autístico, se tornará terrivelmente doloroso ter que desistir dele. O bebê persistirá em lançar mão de objetos autísticos anormais, de forma nem sempre muito evidente, e passará a chupar a própria língua ou a parte de dentro das bochechas, a contrair o ânus para reter as fezes, a fazer bolhas com a saliva ou a se agarrar – quase a se colar – a um objeto externo de sua escolha.

Certas crianças psicóticas mostram verdadeira obsessão pelos objetos mecânicos duros, por exemplo trens e carrinhos, tornando-se algumas delas tão agarradas a um em particular, que se este de alguma forma lhes faltar, entrarão num estado de verdadeiro desespero. Outras preferem colecioná-los; o mais característico em ambos os casos, é que não brinca com eles, como uma criança normal o faria, mas usa-os (psicologicamente) para repelir um sentimento de desastre (esse mesmo princípio está, na base dos amuletos e feitiços de que certos adultos lançam mão). É muito frequente vê-las adormecerem com um trem, por exemplo, quando uma criança normal dormiria, muito possivelmente, com um urso ou um objeto macio.

Outro traço característico dessas crianças psicóticas, é como tentam transformar a mão de outra pessoa em objeto autístico, usando-a como coisa destituída de vida ou vontade própria e como poderosa extensão de si mesmas que sirva para realizar seus desejos. Por exemplo, para abrir a porta, acender a luz, puxar o fecho das calças, etc. – o que denota certo reconhecimento do modo como os objetos do mundo externo operam. A incapacidade de reconhecer refere-se muito mais à qualidade “não-eu” das outras pessoas.

Os objetos autísticos “eu”visam a manter à distância o reconhecimento do terrível e ameaçador “não-eu”, e são, por isso, anormais e patológicos.

 

Sistemas de Autismo Patológico

 

            Tustin descreve três sistemas de autismo patológico e aponta o que os diferencia, chamando a atenção para o fato de que a depressão psicótica é fator precipitante comum a todos eles. Ela consiste em um tipo muito particular de depressão, que se caracteriza por vivências bucais de “buraco”, geralmente associadas a sentimentos de terror, de incapacidade de se bastar a si mesmo, e de ser defeituoso.

O primeiro dos três sistemas mencionados é chamado por ela, de autismo primário anormal (A.P.A.) e que define como prolongamento anormal do autismo primário, ocasionado por um dos seguintes fatores:

  1. Ausência quase total do que é básico para que a criança seja criada e nutrida de forma relativamente equilibrada.
  2. Ausência parcial da mesma coisa:
  • devido a graves deficiências das figuras nutridoras,
  • devido a impedimentos intrísecos à criança,
  • devido à combinação dos fatores (a) e (b).

 

Bowlby (1969) chamou a atenção para o fato de que o bebê humano necessita não só ser alimentado como também estimulado sensorialmente, embora não em demasia, bem como de ter a possibilidade de aliviar os estados de excitação derivados da ação dos estímulos internos e externos. Ele também necessita ter pais, particularmente uma mãe que seja capaz de tolerar as frustrações e as dificuldades que acompanham inevitavelmente os processos deles de se diferenciar do mundo e de se estabelecer diferenças dentro da própria mente. Nessa ordem de idéias, se os pais, ou um deles, forem demasiado maleáveis, contribuirão grandemente para que esses processos não sigam um curso satisfatório.

 

  1. 1. Ausência quase total do que é básico para que a criança seja criada e nutrida de forma relativamente equilibrada.

 

            Spitz descreve instituições onde as crianças são alimentadas e cuidadas de forma exemplarmente higiênica. Os bebês nunca são tirados dos berços – separados uns dos outros por cortinas opacas – por sucessivas enfermeiras que se limitam a alimentá-los e a limpá-los, raramente afagando, acalmando ou brincando com essas crianças. Essa quase completa ausência de estimulação sensorial e de possibilidade de os bebês encontrarem alívio para os estados de excitação interna, acabou por levar muito deles a um estado de marasmo que culminou na morte de alguns antes dos 2 anos e meio de idade.

Shevrin e Toussieng (1965), colocaram em evidência os efeitos destruidores (para as crianças) da escassez de estimulação tátil e provaram que em demasia ela pode ser igualmente nociva. O estado de irritabilidade não aliviada, no primeiro caso, e de estimulação excessiva, no segundo, acabaram por levar os bebês que esses autores observaram a terem reações idênticas às do autismo.

Quando Spitz descreve a psicopatologia desse tipo de criança em termos de “depressão anaclítica”, o faz do ponto de vista da teoria da libido. Pode-se dizer que os fenômenos psicopatológicos descritos são o resultado da depressão que é experimentada como “buraco” corporal e derivada das projeções que não foram modificadas pelas respostas de uma figura nutridora contínua. Para Winnicott (1958), essas crianças vivenciam o “cair sem fim” que acontece quando a “situação contensora” adequada não se materializa, acabando por levá-las ao estado de deterioração irreversível que precede a morte.

Winnicott diria que elas não sofreram “privação”, mas “carência total” (no sentido de uma ausência de ser cuidado), bem no começo da vida, quando “ser provido no essencial estava ainda completamente fora da (possibilidade de) percepção e de compreensão da criança” (Winnicott 1958, pág. 226). O autor menciona o que Burke diz acerca da “privação”: “Todas as privações universais são grandes porque são terríveis: o Vácuo, a Escuridão, a Solidão, o Silêncio”. “Privações” assim primordiais acontecem tão no início da vida, que suas consequências parecerão derivadas da constituição do indivíduo.

 

  1. Ausência parcial do que é básico para que a criança seja criada e nutrida de forma relativamente equilibrada.

 

Não há dúvida de que o clima emocional que se gera entre a criança e o meio ambiente, depende muito de sua personalidade, e que um bebê “fácil” apela, geralmente, para o melhor nos que o rodeiam, mas não é menos verdade que nem tudo depende exclusivamente dele e que certas características da mãe vão ser pelo menos importantes para corrigir eventuais deficiências dos ingredientes essenciais à sua criação.

Determinado tipo de mãe e filho dão a impresão de nunca se diferenciarem completamente um do outro, mas apenas em “retalhos”.

Tustin dá como exemplo um caso que atendeu em que tanto o pai como a mãe, particularmente esta última, davam a impressão de ter desenvolvido um sistema de passividade e inércia que tornava obscuro o sentido do que quer que estivesse em questão e toda a distinção indefinida, quase como se sua forma de responder ao mundo fosse sempre confusa – caminho que o filho parecia também trilhar. Quando a criança emergia passageiramente do nevoeiro e se dava conta de que estava corporalmente separado e distinto da mãe. Tinha ataques de choro. Se a mãe não conseguia controlá-lo e se sentia absolutamente incapaz de ajudá-lo, era exatamente por causa da tremenda inércia que a caracterizava e a que o filho recorria frequentemente, em si próprio, como única forma de escapar à ameaça que o nevoeiro encobria.

“É esse tipo de criança que o tempo me ensinou a chamar de “ameba”.

 

  1. Impedimentos intrísecos à criança.

 

            São várias as circunstâncias que podem impedir uma criança de receber e fazer uso dos cuidados que lhe são fornecidos por aqueles que a criam: a cegueira, a surdez, o atraso mental, a paralisia cerebral, a atonia e a hipotonia musculares, ou uma constituição emocional difícil são apenas exemplos de algumas delas. Também não podemos esquecer que é inevitável que as figuras nutridoras tenham deficiências, o que certamente contribuirá para acentuar as da criança. Isso não tem absolutamente nada a ver com passar culpas, mas sim com entender a verdade dos fatos.

Evidentemente, inferioridades sensoriais, musculares e cognitivas da criança interferirão no curso do desenvolvimento desta, mas é também óbvio que as características qualitativas dos cuidados que lhe serão dispensados por quem a cria, vão contribuir para a extensão da interferência.

Para criar satisfatoriamente uma criança, nem o agente criador deverá ser demasiado mole e submisso, nem rígido e obssessivamente falho de poder de adaptação. Uma mãe deprimida ou com pouca confiança em si, atua geralmente de uma dessas formas, ou oscila entre ambas, sem grande consistência. Uma criança com impedimentos intrísecos tem toda probabilidade de evocar superproteção. Se criada de forma demasiado adaptável e digamos mesmo sedutora, permanecerá em estado de autismo por tempo excessivo, sofrendo um choque doloroso quando perceber o fator incontroverso de que é um ser com entidade corporal própria. O caminho dos processos autísticos secundários se abrirá em sua frente como resposta ao choque, ou se a criança for possuidora da necessária força de personalidade, o autismo primário anormal (A.P.A.) poderá evoluir para um autismo secundário encapsulado (A.S.E.).

Tustin acha a frase de Winnicott “maternalizar de forma suficientemente boa”, muito útil e adequada, e constatando que as crianças que jamais tiveram a oportunidade de experimentar cuidados maternos “suficientemente bons”, desenvolvem processos autísticos secundários não poucas vezes, os quais são, em algumas, precedidos de uma permanência em estado de autismo primário além do habitual.

 

Autismo Secundário Encapsulado (A.S.E.)

 

            Essas crianças são as “crustáceas”, que desenvolvem um A.S. E. Como defesa contra o sentimento de pânico associado à percepção intolerável de que são entes com individualidade corporal.

Em Além do Princípio do Prazer , Freud faz distinção entre “susto[1]”, “medo”e “ansiedade”:

“Ansiedade”, diz ele, descreve um estado muito particular de expectativa ou de preparação para o perigo, que pode ser até desconhecido, ao passo que “medo”pressupõe a existência de um objeto definido, do qual se tem receio. “Susto”é o nome dado ao estado em que uma pessoa se encontra quando corre um perigo para que não está preparada, é uma palavra que dá ênfase ao fator surpresa.

Tustin acha que Freud tem razão quando afirma que há algo na ansiedade que protege o indivíduo de sentir “susto”, e ao sugerir que a proteção consiste exatamente no estar preparado – um estado que é produto da experiência. Esse é o motivo por que uma mãe experiente é indispensável a seu bebê: ao ter a possibilidade de prever as situações que o assustariam e de saber como confortá-lo se e quando elas ocorrerem, vai protegê-lo do susto. Em contrapartida, uma mãe preocupada e insegura não terá a possibilidade de proteção adequada à insegura criança.

É muito provável que, entre os diversos fatores constitutivos das crianças que se tornarão autísticas, existam uns quantos que as tornem mais predispostas a experimentar um choque e um sentimento de separação corporal, cedo demais e de forma demasiado dura. Entre as causas possíveis, destacam-se a hipersensibilidade de um ou mais órgãos dos sentidos, uma inteligência global fora do normal por razões inatas, e a existência de um enorme talento muito específico. Esses fatores, que são a contribuição da criança, podem combinar-se com outros inerentes aos pais, e com determinadas circunstâncias do ambiente: pode acontecer, por exemplo, que a família se mude frequentemente de casa ou de região e que isso perturbe a criança; ou que a mãe ande demasiado preocupada com problemas que não dizem diretamente respeito ao filho, ou muito deprimida. Neste último caso, vai-lhe ser muito penoso dispensar a atenção que ele requer e estimulá-lo como seeria necessário, passando a funcionar como um “espaço em branco” onde as projeções elementares do bebê caem e ficam relativamente intactas (não modificadas). Pode ser também que a mãe esteja tão submergida em suas próprias frustações e tensões internas, que lhe seja difícil ajudar o filho a suportar as suas.

Já vimos que um ambiente que a criança entreveja como catastroficamente transformado, atuará como fonte de traumatismo que a deixará sensibilizada à ação (traumática) de futuras ocorrências semelhantes à original. Se a isso juntarmos o processo de repetição compulsiva que é bem ativo nos níveis emocionais elementares, teremos o quadro do bebê que é dado a entrar em estado de traumatismo psicológico, para quem este é recorrente, com a consequência, por demais conhecida, de um estado de tensão que se acumulou por falta de meios que a aliviassem. Conforme a criança tenha um A.P.A. ou um A.S.E., assim variará sua forma de evitar o traumatismo. A primeira o fará quando camuflar a possibilidade de se dar conta de que a diversidade é um fato da vida, ficando em estado de subdiferenciação. A segunda, quando diferenciar exageradamente o “eu”do “não-eu”e colocar este último nitidamente à parte, apenas para experimentä-lo como barreira entre si e o mundo externo.

Entre as formas de atividade estereotipada e repetitiva dessas crianças, contam-se o dar voltas em torno de si mesmas e o girar objetos externos como se fossem seu próprio corpo. Esses movimentos desempenham a função de evitar o susto que os aspectos “não-eu” do mundo externo lhes provocariam, sendo também bastante possível que obtenham um estado de dissociação idêntico a uma auto-hipnose, que obscureça os alarmantes objetos “não-eu”.

Pode-se dizer que o animismo e o autismo patológico são duas formas opostas de a mente primitiva operar. O primeiro consiste em dotar os objetos de vida, ao passo que o segundo é uma maneira de lidar com a morte, definindo as coisas como se estas fossem feitas do próprio corpo (único meio de torná-las inexistentes), e reduzindo os vivos ao estado de criaturas inanimadas. O establecimento da possibilidade de distinção entre objetos vivos e não-vivos é uma das fases críticas do desenvolvimento psicológico da criança (Spitz, 1963). Enquanto a criança que tem A.P.A. não dá indicação de que tal diferença tenha sido claramente feita, a que tem A.S.E. mostra que esta chegou a ser estabelecida, mas foi posteriormente encoberta.

A experiência clínica mostra que o bebê criado com insegurança devido a impedimentos seus ou da mãe, exagerará a importância das experiências língua-mamilo. No curso do desenvolvimento psicológico normal, essas experiências servem como ponte entre a mãe e o filho e se o bebê tiver vivenciado a perda do mamilo antes de adquirir a capacidade de representar internamente os objetos ausentes, sentirá que a ponte ruiu. Isso é o que parece acontecer com a criança autística, que deseja evitar a repetição dessa experiência dolorosa. Assim, crianças que apresentam um A.S.E. chupam a própria língua e as bochechas, como forma de jamais voltarem a vivenciarem a perda tangível da mãe e de se conformarem com o “buraco”que esta lhes deixou. Outras derivam o mesmo bem-estar da sensação que a massa fecal produz em contato com o ânus.

A criança autística não pode prescindir do constante contato corporal com a mãe e recorre a atividades autísticas, em sua falta, como forma de manter a ilusão de sua existência, embora isso também a impeça de fazer uso da mãe real, a quem nega. Nega-a porque é vista como origem da vivência pavorosa de “não-eu”, o que impossibilita à mãe dispensar os cuidados de que seria capaz.

Tudo isso é fonte de profundo sofrimento para a mãe, que se torna cada vez mais insegura ao criar um filho que constantemente repele o ela oferece.

Uma das grandes dificuldades do A.S.E. consiste precisamente na quase impossibilidade de lutar contra um de seus principais efeitos, a exclusão de toda e qualquer influência do exterior, exclusão que piora a situação, já que só essa influência poderia modificá-la. Nunca será demais insistir em que ninguém tem “culpa” de que as coisas se passem assim, nem recordar o mal que se tem feito e a desnecessária mágoa ocasionada pela aceitação tácita de que cabe às mães toda a responsabilidade de perturbação das crianças autísticas.

A experiência de psicoterapeuta ensinou à Tustin que muitas crianças neuróticas conseguem funcionar com uma espécie de “bolso”, onde isolam os processos crônicos típicos do A.S.E., continuando a se desenvolverem normalmente até que o “bolso” de encapsulamento traga pertubarções ulteriores. Estas se apresentam sob a forma de fobias, dificuldade de dormir, anorexia nervosa, mutismo eletivo, doenças de pele, doenças psicossomáticas, dificuldade de aprender, perturbações da fala e algumas formas de delinquência. Esse “bolso”contém objetos autísticos e fenômenos de objeto transicional, que não chegaram a se desenvolver significativamente, com a consequência de que a imaginação dessas crianças vai ser primitiva e centrar-se nos objetos corporais e seu equivalente no mundo externo.

Rubinfine (1961) diz que as crianças com um A.S.E. apresentam invarialvelmente oscilações maniáco-depressivas de humor. Elas oscilam, entre o êxtase da onipotência e o “baque”do desespero quando saem do estado de autismo. O desespero provém do furor, que sentiram ao descobrir a qualidade “não-eu”dos objetos que até então haviam experimentado como “eu”.

Para Tustin não há algo de novo na afirmação de que os psicóticos não são uma espécie diferente dos indivíduos chamados “normais”, que é como quase todos nos consideramos; uma das razões é a constatação de que os ditos normais contêm, no fundo, vestígios de autismo patológico. Isso é tanto menos de estranhar quanto o crescimento infantil não se processa de maneira suave e regular, mas aos saltos, o que tornará qualquer bebê exposto a sofrer um abalo quando percebe sua condição de ente com individualidade corporal.

[1] A palavra alemã Schreck sugere algo mais drástico do que susto. Pânico, terror, choque, horror e temor estariam mais próximos do sentido original.

Comentários desativados em “Autismo e Psicose Infantil”- segunda parte

Arquivado em Artigos - Psicanálise, Berenice Abreu

Os comentários estão desativados.