A Fabricação do Humano: Psicanálise, Subjetivação e Cultura.

Comprei o livro porque gosto de alguns dos autores dos quais já li outros livros, ou outros artigos; de alguns nada havia lido ainda, no entanto se mostraram interessantes também. Por este motivo resolvi compartilhar resumidamente, o que apreendi de cada leitura dos textos escritos por estes diferentes autores e comparei-os com a minha formação.

Na parte I entitulada: “Modulações da Fabricação do Humano”, Joel Birman vai nos dizer sobre os paradigmas da psicanálise, que segundo o seu ponto de vista, é totalmente diferente das instituições científicas. Nas Instituições Psicanalíticas o que prevalecia, e continua prevalecendo, era a posição soberana assumidas pelas mesmas, excluindo os que sustentavam um outro paradigma que não fosse o mesmo. O que dominava os debates era a repetição da inflexão soberana, que tentava solucioná-los pela exclusão dos opositores. O ato da exclusão do oponente parecia resolver a questão colocada, de modo mágico e por procedimento marcado pela força. O que ficava colocado no debate era o confronto entre a verdadeira e falsa psicanálise.

Este tipo de evento aconteceu desde os primórdios das instituições psicanalíticas, como a de Jung por exemplo. “Entretanto, na minha formação em psicanálise, entre 2002 e 2005, ouvia muito os professores falarem em divisores de água quando algum colega colocava a sua maneira inovadora de pensar. Tínhamos que nos submeter à soberania do pensamento freudiano ou kleiniano se quissêssemos nos formar. Não foi por acaso que no final do primeiro ano de formação, onde a equipe docente resolveu nos punir, por nossa rebeldia em não aceitar algumas normas as quais estávamos sendo submetidos, com um trabalho de final de ano, colocando como tema tudo o que havíamos aprendido durante os dois semestres, que escrevi: ‘O Samba do Crioulo Doido’[1]. Foi a minha forma de protestar, satirizando a punição”.

Lacan também foi expulso da Associação Internacional de Psicanálise em função do tempo lógico das sessões, em oposição ao tempo cronológico. Mas a sua exclusão promoveu a construção de uma organização internacional lacaniana; nesta também apareceu a soberana inflexão, numa repetição do mesmo procedimento presente no campo da Associação Internacional de Psicanálise. As duas instituições passaram a disputar quem seria a representante legítima da verdadeira psicanálise e quem representaria o desvio desta.

O debate de idéias é marcado pela paixão em qualquer campo do saber. Entretanto, o inquietante é o procedimento da exclusão de um dos oponentes, evidenciando a existência de outra problemática que deveria ser colocada em destaque. O que estaria em pauta?

O que aconteceu na história da psicanálise foi contrário ao que ocorreu na história das ciências. Pelo discurso da ciência, debates houveram para definir qual a teoria seria mais pertinente num determinado campo do saber, entre outras tantas, num certo contexto histórico. Mas, esta escolha não implicava a exclusão das teorias rivais, que continuavam a existir lado a lado com a teoria dominante, num clima racional caracterizado pela relativa tolerância. Neste processo teórico e histórico de construção, de descontrução e de reconstrução de um paradigma face ao oponente, não houve exclusão soberana. O que dominava a polêmica era a formulação de critérios teóricos, a que se conjugavam protocolos experimentais, evidenciados que eram por sistemas de verificação.

Para a constituição do discurso das ciências e das comunidades científicas correlatas, foi necessário a construção da autonomia do campo científico, face às tradições religiosa e teológica. Esta autonomia foi a condição de possibilidade para as revoluções científicas. Deslocamo-nos do registro qualitativo do mais ou menos, marca da ciência antiga, para o registro do quantitativo da precisão da matemática, marca da ciência moderna. Também nos deslocamos do registro do cosmos finito para o registro do universo infinito.

Qual seria a razão da diferença entre as comunidades científicas e as instituições psicanalíticas?

Uma das razões é a transferência. É pela sua mediação, numa experiência iniciática, que se inscrevem os analistas em instituições de pertecimento. Em decorrência disso, a relação dos analistas com o registro do saber e com a psicanálise se realiza pela mediação da transferência e da experiência iniciática.

Lacan procurou encontrar uma possibilidade de saída para o fim e o destino da experiência analítica, que não fosse a identificação com o analista, porque esta via disseminada na comunidade analítica, promovia efeitos catastróficos. Pela identificação do analisante com o analista, não apenas a relação com o registro do saber seria comprometida, como também o futuro analista seria reduzido à condição de ser um mero repetidor da figura do analista que o forjou. Existiria uma continuidade inquietante entre a cena da experiência analítica e a da comunidade analítica de pertencimento do futuro analista.

Ele propõe que o futuro analista fosse deslocado da condição inicial de analisante em direção à sua inscrição numa dada comunidade analítica. O futuro analista teria que se deslocar do registro do trabalho de transferência para estabelecer com essa comunidade uma relação de transferência de trabalho.

Seria por isso que a comunidade psicanalítica não funcionaria com as mesmas regras que a comunidade científica, na medida em que pela identificação do futuro analista com o analista formador a cena da comunidade analítica ficaria marcada pela presença do discurso do mestre e do discurso universitário. Assim, a repetição se cristalizaria funcionando como obstáculo teórico no campo da comunidade psicanalítica.

O que estaria em pauta na comunidade analítica seria a disseminação do que Freud denominou em 1921, em Psicologia das massas e análise do eu, do narcisismo das pequenas diferenças. Este processo seria uma marca distintiva da modernidade, no Ocidente, na medida em que se as diferenças passaram a ser reconhecidas, num mundo caracterizado pela emergência do individualismo, elas passaram a ser objeto de violência, com a finalidade de apagamento das diferenças.

Seria em decorrência disso que a repetição do mesmo se contraporia à possibilidade de emergência da repetição da diferença, na comunidade analítica, na medida em que a constituição de qualquer marca distintiva a conduziria aquela a promover a suspenção desta. Daí porque a transformação em anátema de qualquer diferença, que conduziria à eliminição pela exclusão soberana.

É neste contexto metapsicológico, caracterizado por sua repetição face à repetição diferencial – que forjaria o narcisismo das pequenas diferenças – que se inscreve a problemática do paradigma em psicanálise.

É sabido que existem diversos paradigmas em psicanálise. Estes apareceram em diferentes tempos da história desta, indicando rupturas e inflexões conceituais. De Freud a Winnicott, passando por Klein e Lacan, diferentes paradigmas foram formulados na história da psicanálise; inclusive Jung e Ferenczi.

O que é inquietante nesta comunidade é a impossibilidade de convívio com as diferenças, representadas pelos seus diversos paradigmas. Seria constitituído um paradoxo na psicanálise, pois se a experiência psicanalítica pretende promover a produção e o reconhecimento da singularidade como diferença, a instituição analítica não suporta o convívio com esta, de maneira a excluí-la, quando se apresenta no horizonte institucional. A ética da psicanálise não seria coerente com a moral existente nas instituições analíticas.

“Não foi o que aconteceu no departamento, quando se tentou mudar o regimento interno para flexibilizar o ingresso de novos membros dentro do mesmo. O regimento não foi aceito porque não houve votos suficiente e porque se tentou ilegitimizar a votação com votos de membros que não haviam contribuido com a anuidade necessária para o pertencimento ao departamento?!”

O argumento para empreender a exclusão soberana não é legítimo, pois não existiria como justificar, com consistência teórica, o que representaria a verdadeira psicanálise e a falsa psicanálise. Porque os diferentes paradigmas seriam epistemologicamente incomparáveis.

O que a escolha de um paradigma realiza, na experiência analítica, é um recorte desta, enfatizando diferencialmente certos pontos em relação a outros, empreendendo uma seleção de signos. Estes seriam considerados de maneira desigual e heterogênea, pelas linhas de força constitutivas do paradigma e que norteiam o recorte dos signos.

Os diferentes paradigmas no campo psicanalítico seriam incomparáveis, pois remeteriam à diferentes objetos teóricos e a diversos campos conceituais, que não seriam equivalentes. Por isso não se poderia dizer que um dos paradigmas seria o verdadeiro e os demais, falsos; de modo a existir uma verdadeira psicanálise que se contraporia às falsas, como desvios que seriam daquela.

Em Lênin e a filosofia, Althusser aprofundou a reflexão epistemológica sistematizando a existência de três continentes das ciências, num dos quais inscreveu o saber psicanalítico. Existiriam o continente da natureza, representado pela física, o continente da história representado pelo materialismo histórico e, finalmente, o continente do inconsciente, representado pela psicanálise.

Na tese da existência do continente do inconsciente, seria possível indicar a similaridade existente entre as diversas teorias psicanalíticas, mesmo reconhecendo suas diferenças, no que concerne aos seus objetos teóricos. Portanto, existiria a constituição de regras comuns para a formação dos conceitos no campo psicanalítico, não obstante as diferenças, no que tange os seus objetos teóricos e os diversos paradigmas.

Apesar de ter sido formado na tradição, Foucault empreendeu a crítica desta desde o início de seu percurso teórico, colocando em questão os conceitos de corte e de obstáculo epistetemológicos, como o da existência de descontinuidade entre os registros da ciência e da ideologia. Separou-se da problemática da ciência e se deslocou para a problemática do saber, inscrevendo a sua leitura numa história de longa duração. Constituiu uma arqueologia do saber e uma genealogia do poder para enunciar o filosofema fundado na relação entre saber e poder. Procurou conjugar a arqueologia do saber e a genealogia do poder, indicando a conjugação entre o saber e o poder.

No campo das formações discursivas existiria a operação conceitual de retorno ao momento histórico inaugural de uma dada discursividade, como teria ocorrido nos anos 60 no retorno de Lacan a Freud e no retorno de Althusser a Marx. Nas formas de discursividade os conceitos seriam autorais, indicando a referência ao sujeito e ao autor, o que não ocorria no discurso da ciência.

O que se impõe agora, na teorização sobre os paradigmas na psicanálise, considerados como discursividade, é como pensar nas condições concretas de possibilidade para a produção das diferenças entre os paradigmas. Nestas condições, seria necessário enfatizar a dimensão histórica que marcaria estes paradigmas.

Se a psicanálise se constituiu como o contraponto ao mal-estar, pode-se enunciar outra proposição sobre os paradigmas. Se as formas assumidas pelo mal-estar apresentavam variações histórico-sociais evidentes, no que concerne às formas de subjetivação, os paradigmas na psianálise seriam formulações diferentes para dar conta dessas variações nas formas de mal-estar.

Nesta perspectiva, a formulação de diferentes paradigmas na psicanálise seria resposta do campo psicanalítico para se confrontar com a emergência histórica de novas modalidades de mal-estar. Por isso tais paradigmas devem ser diferentes, pois a materialidade que seria constituinte destes é diferente, pelas variações históricas do mal-estar, na modernidade e na contemporaneidade.

A leitura dos diferentes paradigmas enunciados na psicanálise coloca em evidência o privilégio, concedido em cada um deles, a um campo clínico de referência. A elaboração metapsicológica visaria dar conta da experiência analítica. Seria esta que forneceria a matéria-prima para as construções metapsicológicas, de maneira que estas não existiriam sem aquelas.

Pode-se sustentar que o modelo da histeria foi a base inequívoca para a constituição de paradigma inicial do discurso freudiano, na medida em que a histeria foi alçada à condição de privilégio para a leitura do mal-estar na modernidade. Seria pela mediação daquela que as formas de subjetivação promovidas pela modernidade, puderam ser colocadas em evidência.

Com o incremento da violência e da crueldade no cenário social nos anos 10 do século XX, o paradigma freudiano inicial foi colocado em questão. Surpreendido com o alto nível de violência e de crueldade perpetrados com a eclosão da primeira guerra mundial, Freud teve que constatar que a interdição de matar era válida apenas em condições de paz e que a autorização para matar era o imperativo em condições de guerra. Assim, a constituição da ordem social na modernidade, empreendida em Totem e Tabu, fundada na descontrução da condição de exceção da figura do pai da horda primitiva e da disseminação da igualdade dos cidadãos como seu correlato, caiu por terra.

A construção do novo paradigma se apoiou nestas linhas de força. Freud enunciou o conceito de pulsão de destruição, na teorização de um outro dualismo pulsional, estabelecido entre a pulsão de vida e a pulsão de morte. Neste contexto o masoquismo, como modalidade primária de subjetivação, passou a se opor ao sadismo, em outras bases, opostas ao que fora estabelecido no paradigma freudiano inicial.

A experiência da perda foi colocada no centro do novo paradigma indicando a importância assumida pelo modelo da melancolia. De outro lado, o modelo do trauma passou a ser igualmente privilegiado na sua conjugação com o registro da perda, colocando em evidência a importância da compulsão à repetição no novo horizonte do mal-estar na modernidade.

Tanto M. Klein quanto Lacan trilharam as linhas de força da segunda tópica e da segunda teoria das pulsões do discurso freudiano, enfatizando os efeitos da pulsão de destruição, do masoquismo e do sadismo, assim como a divisão tópica nos registros originários do psiquismo.

No registro do modelo clínico, Klein e Lacan se apoiaram em registros diferentes. M. Klein se apoiou sobre a psicose maníaco-depressiva e a esquizofrenia na leitura do mal-estar na modernidade avançada. Já Lacan, se apoiou no modelo da paranóia. Para ambos a experiência analítica foi concebida por novas coordenadas, pelas quais, diferentemente de Freud, a transferência negativa nortearia aquela em oposição à transferência positiva.

Com Winnicott, o que se colocou foi a existência de outro modelo clínico, baseado em estados limites, para a leitura do mal-estar na contemporaneidade. O que estava em pauta nessa reconstrução paradigmática era a importância da figura da mãe suficientemente boa, como o objeto transicional na constituição psíquica.

A disseminação do narcisismo negativo e dos estados-limite como o seu correlato foi a matéria-prima para a construção do novo paradigma. Foi por conta disso que a leitura clínica empreendida por Ferenczi, desde os anos 1920, foi retomada nos anos 1970, pois Ferenczi empreendia já a leitura dos processos de “desnarcização” infantil e as formas de exercício da função materna, que orientaram a construção do novo paradigma realizado por Wininicott.

É preciso que se articule as diferentes leituras do mal-estar ao campo da biopolítica, tal como enunciado por Focault. Se a disciplina e o processo de normalização tinham como alvo a construção da anatomopolítica dos corpos, a biopolítica se constituiu tendo em vista a programação da espécie. Seria por causa disso que o campo da sexualidade foi crucial para a biopolítica, pois foi por aquela que o futuro da espécie foi planejado a partir do presente.

A problemática da sexualidade foi crucial na constituição do discurso psicanalítico e se evidenciou pelas diferentes leituras sobre as pulsões. O que estaria em pauta para Freud, era a conflitualidade entre os interesses eróticos do sujeito e os da reprodução da espécie. Entre os imperativos do gozo e os da reprodução da espécie, as oposições entre as pulsões evidenciariam a conflitualidade psíquica que marcaria o sujeito.

Assim, fragmentada que era entre os registros do indivíduo e da espécie, a sexualidade se inscrevia no campo da biopolítica, de fato e de direito.

No que concerne a isso, os discursos teóricos de Klein e de Lacan se aproximaram dos paradigmas de Freud, pois a base pulsional do psiquismo foi mantida, não obstante as diferentes leituras sobre as pulsões. Mas a leitura pulsional foi colocada como secundária por Winnicott, que se preocupou com a constituição originária da continuidade de ser do infante, em conjução com a função materna.

Os dois paradigmas formulados por Freud remeteriam à modernidade e os de M. Klein e de Lacan à modernidade avançada, o de Winnicott reenviaria à contemporaneidade.

A qualidade de vida da população definia a riqueza dos Estados-nação, então seria necessário investir na infância para a produção futura dessa riqueza. A infância passou a ser o alvo de investimentos sociais, na medida em que condensava o capital econômico e simbólico da nação. Não foi por acaso que a problemática do infantil foi crucial na leitura do psiquismo pela psicanálise.

A família nuclear moderna e o privilégio conferido à infância foram os dispositivos para a realização dos processos de normalização e da biopolítica. Por isso, a figura da mulher foi cristalizada na figura da maternidade, para possibilitar a regulação da família e do corpo infantil. Além disso, foi como mãe que a mulher passou a realizar a mediação entre as ordens da família, da medicina e da escola.

Freud delineou o mal-estar na mulher, na modernidade, pela disseminação da histeria, pela qual as mulheres resistiriam à redução delas ao espartilho da condição materna. Pelo erotismo e pela recusa à diferença sexual, a figura da mulher resistia à sua redução à condição materna. Porém, a disseminação da melancolia feminina seria o signo da derrota das mulheres neste embate. Pela histeria e pela melancolia o que estava em pauta era o masoquismo como forma privilegiada de subjetivação feminina.

Na contemporaneidade o que vai ficar em pauta é a saída das mulheres da sua condição materna, buscando outras posições no espaço social. Porém, isso indica também que a criança não tem na contemporaneidade a mesma posição, de capital simbólico e capital econômico, na riqueza das nações, como na modernidade e na modernidade avançada. É esta a transformação biopolítica que ocorre na contemporaneidade.

Se a psicanálise é uma formação discursiva e não um discurso científico, então a experiência psicanalítica é a invenção pelo sujeito de uma prática de si que se constituiu na modernidade, se manteve na modernidade avançada e na contemporaneidade. Daí porque as práticas de subjetivação se inscrevem na experiência analítica da forma fundamental. Nesta perspectiva, as diferentes práticas psicanalíticas seriam formas de cuidado de si, realizadas desde a modernidade, para o sujeito lidar com o mal-estar produzido pelos imperativos da normalização e da biopolítica.

Enquanto técnicas de si, os diferentes paradigmas produzidos na psicanálise, em contextos biopolíticos diversos, foram as condições de possibilidade para a construção de diferentes jogos de verdade para a construção do sujeito, como enunciou Foucault. Portanto, os diferentes jogos de verdade na experiência analítica remeteriam aos diferentes paradigmas como formas de discursividade, indicando a diferença entre as práticas clínicas na psicanálise.

Se as variações históricas no campo do mal-estar remetem a variações no registro da biopolítica, ambas convergem para a constituição diferencial de múltiplas técnicas de si que, como jogos de verdade e formas de subjetivações se materializariam na experiência psicanalítica. Seria por isso que os diferentes paradigmas teóricos produzidos ao longo da história da psicanálise, seriam incomparáveis.

“Quando, eu Berenice, leio estes artigos cujo discurso nos remete a pensar sobre o quanto tivemos que nos submeter para completar a nossa formação analítica, tenho a sensação de ser um “extra-terrestre”, que não faz parte do contexto do grupo do qual recebeu a formação, porque qualquer opinião emitida que contrarie as normas regulamentadoras do grupo é mal vista, em vez de se olhar para uma possibilidade em se criar algo novo. O mal-estar está em ser discriminado por um grupo do qual você fez parte, durante a formação, e que no entanto, mesmo contribuindo como membro associado, você não é recibo como tal. Os professores perguntam aos novos alunos com quem estão fazendo análise e supervisão, e quando não é com um dos analistas do ‘grupo de elite’, pedem que mudem de analistas e de supervisores.”

            “Em final de 2013 participei de uma reunião de departamento cujo o objetivo era decidir se membros que queriam fazer formação em outra instituição deveriam continuar como membros do departamento ou deveriam ser expulsos. Sendo que no departamento há professores que fazem parte de mais de uma instituição.”

            “Estamos ainda na modernidade e não na contemporaneidade… e o que ainda permanece em pauta é a soberania do poder e não a do saber!”

            “Vejo que o mal-estar ainda continua dentro das instituições psicanalíticas, onde a submissão é camuflada como transferência, não há identificação aonde não pode haver diferenças; a ética não é condizente com a moral e, há o sadismo dos analistas mais antigos em relação aos mais novos”.

Joel Birman e comentários de Berenice Ferreira Leonhardt de Abreu.

Referências págs. 40, 41 e 42 do livro citado acima.

[1] Para quem não se lembra, “O Samba do Crioulo Doido”, foi um samba enredo de uma escola de samba do Rio de Janeiro, em que o compositor faz uma sátira da história do Brasil, misturando personagens e fatos, porque o tema daquele ano era falar em versos e melodia sobre toda a história do Brasil. Stanislaw Ponte Preta, 1968.

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