Duas semanas atrás sugeri a leitura do livro: “A Escola dos Deuses” de Elio D’Anna. Hoje, destaquei alguns parágrafos que achei interessantes e quero mostrar como um livro dirigido à economistas tem muitas conecções com a psicanálise.
Ele, o autor, começa dizendo que a única realidade é o sonho, o ser humano que não sonha está fadado a viver de repetições, numa mesmice contínua. A psicologia humana precisa mudar, o homem não pode viver de crenças e preconceitos ultrapassados, ele deve se auto-observar para poder se conhecer e se transformar. A realidade externa é uma contínua projeção, não podemos culpar eventos e circunstãncias que acontecem fora, porque fomos nós que a criamos. As doenças e a morte são nossas limitações internas, nossos conflitos e o medo de responsabilizar pela vida e se comprometer.
Será que conseguem visualizar alguma ligação com a psicologia de Freud? Trazer o inconsciente para o consciente não é uma maneira de se conhecer? O sonho não é o modo mais potente de nos autoregular? Por que será que recalcamos tanto os nossos sonhos? Não será uma maneira de nos autoboicotar? Culpar os acontecimentos externos não será um modo de não nos responsabilizarmos pelo que nos acontece, a projeção? E a pulsão de morte, também não será um jeito de nos limitarmos, dizendo: “Vou morrer mesmo, o que adianta me comprometer?”
Vou parar de especular e levantar hípoteses e deixar que vocês vejam o que o autor tem para nos dizer (não esqueçam que são parágrafos selecionados po mim).
A ESCOLA DOS DEUSES
Elio D’Anna
Para mudar o destino do ser humano é preciso mudar sua psicologia, seu sistema de convicções e crenças. É preciso extirpar de seu âmago a tirania de uma mentalidade conflituosa, frágil, mortal. A doença mais temida do planeta não é o Câncer nem a AIDS, mas o pensamento conflituoso do homem. É esse o esteio sobre o qual se apóia a habitual visão do mundo, o verdadeiro assassino planetário.
Sonhei uma revolução individual
Capaz de mudar completamente os paradigmas mentais da velha humanidade
E libertá-la para sempre dos conflitos,
Da dúvida, do medo, da dor.
Sonhei uma escola que edifique
Uma nova geração de líderes
E capacite-os a harmonizar os aparentes antagonismos de sempre:
Economia e ética, ação e contemplação,
Poder financeiro e amor.
Pode-se ensinar se não se sabe. Quem realmente sabe, não ensina!
Aquilo que compreendemos, o que realmente possuímos, não se pode transferir.
A felicidade, a riqueza, o conhecimento, a vontade, o amor não podem ser adquiridos fora, não podem ser dados, mas somente recordados. São bens inalienáveis do ser e, por isso, patrimônio natural de todo ser humano.
Nenhuma política, religião ou sistema filosófico pode transformar a sociedade. Somente uma revolução individual, um renascimento psicológico, um restabelecimento do ser, de cada ser humano, célula por célula, poderá conduzir a um bem-estar planetário, a uma civilização mais inteligente, mais verdadeira, mais feliz.
Pode dizer EU somente quem conhece a si mesmo, é dono da própria vida… Quem possui uma vontade. Observe-se… Descubra quem você é! Ser uma multidão significa ficar preso num sistema irreal, inescapável, um sistema autocriado de falsas crenças e mentiras.
A dependência é a negação do sonho. A dependência é a máscara que os homens vestem para esconder a ausência de liberdade, a renúncia à vida.
Um dia, uma sociedade que sonha não trabalhará mais. Uma humanidade que ama será suficientemente rica para sonhar, e infinitamente rica porque sonha. O universo é abundante, é uma cornucópia transbordante de tudo o que o coração de um humano pode desejar… Em um universo assim é impossível temer privação.
Pobreza significa não ver os próprios limites. Ser pobre significa ter cedido os próprios direitos de artífice em troca de um trabalho que não ama, que não foi escolhido por você.
Acorde!… Faça a sua revolução… Insurja-se contra si próprio! Sonhe a liberdade… A liberdade de todas as limitações. Você é o único obstáculo a tudo que possa desejar. Sonhe… Sonhe… Sonhe sem descanso! O Sonho é a coisa mais real que pode existir.
Um homem para renascer deve primeiro morrer! Morrer significa reverter completamente a própria visão. Morrer significa desaparecer de um mundo grosseiro, governado por sofrimento, para então reaparecer em um nível de ordem superior.
Tudo que acontece fora de você precisa de sua aprovação interna para se manifestar. Isto significa que qualquer coisa que acontece em sua vida é o fiel reflexo da sua vontade.
Lembre-se! Todas as possibilidades estão no agora!
Ninguém pode jamais prevalecer sobre os outros! A idéia de prevalecer sobre os outros é uma ilusão… Um preconceito da velha humanidade conflituosa, predatória, perdedora.
Se um homem muda sua atitude em relação àquilo que lhe acontece, no decorrer do tempo isso modificará a própria natureza dos eventos que encontra. Nosso ser cria nossa vida.
O homem está irremediavelmente hipnotizado. Atrás de cada infortúnio encontra-se o mal dos males: a crença irremovível na inevitabilidade da morte. O primeiro passo em direção à liberdade, o mais difícil, é compreender que esse medo governa tiranicamente toda a sua vida.
Para conquistar aquela especial condição de liberdade do ser, de conhecimento, de poder… são necessários anos de trabalho sobre si mesmo. É preciso perdoar-se dentro.
Perdoar-se dentro não é o exame de consciência de um santo obtuso, mas o verdadeiro fazer de um homem de ação, o resultado de um longo processo de atenção… de auto-observação. Significa entrar nas sinuosidades, nas partes mais íntimas da própria existência, bem lá onde é ainda lacerada… Significa lavar e curar as feridas ainda abertas… Liquidar todas as contas não pagas. Perdoar-se dentro tem o poder de transformar o passado com toda a sua carga.
Tudo é aqui, agora! Passado e futuro estão agindo juntos neste instante na vida de cada ser humano. O futuro, como o passado, está sob os seus olhos, mas você não pode ainda vê-los.
Auto-observação é olhar de cima a própria vida. É como submeter eventos, circunstâncias e relações do passado a um raio de luz.
Auto-observação é autocorreção. Auto-observação é cura… uma conseqüência natural do distanciamento que se cria entre o observador e o observado. A auto-observação permite a um ser ver tudo aquilo que o mantém grudado à esteira rolante do mundo: pensamentos absoletos, sentimentos de culpa, preconceitos, emoções negativas, previsões de desgraças… É uma operação de distanciamento, de desipnotizar, de despertar…
Coloque em ação o observador que existe em você! A auto-observação é a morte daquela multidão de pensamentos e emoções negativas que sempre governaram sua vida. Se você se observa internamente, o que é certo começa a acontecer e aquilo que não é começa a se dissolver.
Um ser humano pode olhar milhares de luas durante todos os seus anos, mas muito provavelmente, no final de sua vida, não terá encontrado tempo de observar ao menos uma… E isso está fora. Imagine o quão mais difícil é para o ser humano observar-se, inverter a posição da própria atenção. A auto-observação é só o início da arte de sonhar.
Tudo se repete na sua vida… Os fatos são recorrentes, sempre os mesmos, porque você não quer mudar… Ainda se lamenta, ainda acusa o mundo, certo de que alguém de fora possa prejudicá-lo ou ser a causa dos seus infortúnios… O ser humano comum, aprisionado na circularidade do tempo, não tem futuro de verdade, mas somente um passado que se repete e repete…
A morte física é apenas a materialização de milhões de mortes que a cada dia acontecem dentro de nós; é a cristalização da crença emprestada de uma humanidade que se acorrenta na dor e ama sofrer. Os seres humanos fizeram da morte sua via de fuga.
O corpo é indestrutível!… Ainda assim querem tornar o inevitável o impossível… Um ser humano não pode morrer; pode tão somente matar-se! Para conseguir isso, deve dedicar-se intensamente e fazer da autocomiseração e da autossabotagem um trabalho de tempo integral. A morte é sempre um suicídio. Quando esse modo de pensar se tornar carne da sua carne, sua visão mudará radicalmente e, com ela, sua realidade.
Os seres humanos veneram a morte e não a suprimiriam jamais, nem mesmo se pudessem, porque a consideram solução para os seus problemas, o fim do sofrimento e das inúmeras mortes psicológicas que se infligem… Mas a morte não é nunca uma solução!
Como em uma verdadeira cura, o processo deve vir de dentro… É o nosso ser que cria o mundo e não vice-versa! Como todas as pessoas, você sempre acreditou que fossem os eventos os geradores dos estados que você vive, e as circunstâncias externas, as responsáveis por fazê-lo infeliz e inseguro. Agora você sabe que essa é uma visão invertida da realidade.
(Esta é a primeira parte selecionada, em outra oportunidade publicarei mais.)
Berenice Ferreira Leonhardt de Abreu.