Segundo Berenice Leonhardt, jogos eletrônicos desenvolvem as mãos, mas prejudicam a coordenação dos outros membros.
Por Clayton Melo
As crianças de hoje dificilmente brincam na rua. Estão cada vez mais confinadas dentro de apartamentos – cujos limites físicos estão bem mais restritos que praças e espaços públicos. O divertimento predileto vem da tecnologia, principalmente do videogame e do computador, equipamentos que exigem escassos movimentos, a não ser o das mãos. O resultado é que a boa parte da garotada apresenta “desequilíbrio motor”.
A psicomotricidade pode ser uma ótima solução para o problerna. É o que defende a pedagoga Berenice Leonhardt, da Escola de Educação Infantil Raízes, em São Paulo. Essa metodologia, há oito anos empregada no colégio, procura fazer a pessoa conhecer melhor o próprio corpo e assimilar com segurança o mundo exterior. Berenice baseia seu trabalho na filosofia da psicomotricista francesa Simonne Ramain e de Jean Piaget. O projeto Psicomotricidade – Um Sistema Integrado de Educação e Aprendizagem classidicou-se entre os quinze primeiros colocados no lll Educresce, realizado em Maio de 1998.
Ela percebeu que havia crianças descoordenadas, inseguras, dependentes, com uma verbalização riquíssima, mas que falhavam na execução das atividades. Aplicou um teste para identificar o perfil motor dos alunos e constatou o seguinte: nas provas de velocidade e coordenação das mãos o rendimento costumava estar acima da idade cronológica. Já nas atividades de equilíbrio e domínio corporal o aproveitamento era baixíssimo.
O peso do erro
Os professores da Escola Raízes não mostravam aos alunos como fazer determinado exercício, mas orientavam verbalmente. Dessa forma, a criança é levada a imaginar como é o movimento e não recebe um modelo externo pronto. “lsso é justamente para ela decodificar a instrução dada”, diz Berenice. A explicação do que foi pedido não é repetida. No caso de alguma criança não entender, o professor pede para quem compreendeu falar o que deve ser feito. A palavra “errado” nunca é utilizada. Se a atividade não estiver como foi pedida, é dito que está diferente”. “Errado tem uma conotação ruim, de incapacidade, burrice”, esclarece.
A borracha não faz parte dos acessórios dos alunos. Em vez de apagar, eles usam lápis de cor para refazer o exercício.
Com Berenice Ferreira Leonhardt Abreu
PUBLICAÇÃO
SIESP – Sindicato dos Estabelecimentos de ensino no Estado de São Paulo – Agosto de 1998.