Entrevista realizada pela revista In Formação em 2001 com o Dr. Antonio Geraldo de Abreu Filho.
Conforme proposto pela comunidade da escola no final do primeiro semestre de 2001, no dia 20 de Setembro, pais e professores se reuniram para dar início às reuniões de reflexão. Coincidência ou não, o tema escolhido em enquete realizada junto a comunidade escolar, “valores humanos”, veio ao encontro do inesperado acontecimento de Nova York onde, estarrecidos, quase todos pararam para pensar e rever seus valores e princípios.
Mediado pelo Dr. Antonio Geraldo de Abreu Filho – psicólogo e analista, as duas horas de reunião elucidaram vários pontos de nosso comportamento permitindo a todos uma melhor compreensão de suas atitudes e responsabilidades como pai ou mãe. Extremamente enriquecedora, precisariamos de inúmeras páginas para relatar tudo que foi abordado na reunião. Mas nossa reportagem teve o privilégio de uma entrevista exclusiva com o Dr. Antonio Geraldo minutos antes do encontro, a qual transcrevemos abaixo.
ln for: O que são valores?
AG: É tudo aquilo que vai poder ser transmitido pelos pais aos filhos, calcado em responsabilidades éticas, morais e religiosas que servirão de alicerce e bússola norteadora para a formação de um bom indivíduo.
ln for: Vivemos na era da informação. Nossos filhos têm hoje acesso a milhares de informações externas. A televisão, o rádio e a internet invadem nossos lares tornando quase impossível filtrar o que chega a eles ainda muito cedo. Isso dificulta a transmissão de nossos valores a nossos filhos?
AG: Tudo depende do potencial interno de cada um. É função dos pais socializar a criança para que esta esteja preparada para o aprendizado e convivência em sociedade; de mostrar o que é certo e o que é errado para que esta, mais para a frente, possa tomar suas próprias decisões.
In for: Vemos hoje um elevado número de casais separados. Pode uma criança que vive essa realidade ter uma educação e desenvolvimento equilibrados?
AG: Se quem ficar com a responsabilidade da criança souber desempenhar tanto a função paterna como a maternal, poderá levar a criança a um estado de equilíbrio. Por outro lado, o fato de estarem separados não significa que os pais não possam continuar exercendo suas funções e papéis, de pai e mãe junto à criança. Por ser um estado mais comum, a criança moderna já começa a compreender e conviver com isso. Apenas destaco um detalhe: a figura do pai ou da mãe são intransferíveis. Apesar de todo o carinho e dedicação, uma avó, tia, tio, padrasto, enteado, ou qualquer outro, jamais serão a mesma coisa que pai ou mãe.
ln for: Como o Sr. vê o caso do pai que teve uma infância difícil com pais problemáticos? Que valores este estará passando para seus filhos? Também problemáticos?
AG: A questão não é muito simples pois é muito subjetiva. No estudo do comportamento humano dificilmente 2+2 é igual a 4! Novamente, tudo vai depender dos valores intemos de cada um. Se esse pai ou mãe tiver a percepção e a capacidade para identificar esses pontos de conflito, certamente poderá corrigi-los e dar aos seus filhos uma educação bem melhor. Se isso não fosse possível, como explicaríamos os casos onde crianças nascem em ambientes desfavorecidos, como favelas, e ainda assim conseguem uma ascensão e outras que vieram ao mundo em “berços de ouro” e acabam na marginalidade?
In for: Que outra mensagem gostaria de deixar a todos os pais?
AG: Não existem modelos ideais ou manuais de como ser pai ou mãe. Normalmente a coisa transcorre por ensaio e erro. Até porque não existem dois filhos idênticos e muito menos que raciocinem da mesma forma. Na falta de parâmetros o que deve falar mais alto é seu bom senso.
Com Antonio Geraldo de Abreu Filho
PUBLICAÇÃO
Revista In Formação – n. 1 – 2001